Distributed by kadjambu.blogspot.com Dzuwa Yathu_-_Aruângua (poema) 2025 Movimento KAJAMBU

Dzuwa Yathu_-_Aruângua (poema) 2025 Movimento KAJAMBU



Aruângua é mais do que versos rimados — é uma memória revivida, é denúncia histórica e é também um alerta aos povos originários de Afrika sobre as dinâmicas de invasão, dominação e resistência.


Este poema é uma narrativa simbólica que representa, de forma poética, o avanço colonial pelo território afrikano, mascarado de estratégia, mas sustentado pela violência. A personagem "Paiva" representa o invasor, o explorador, o estrangeiro que usa da ciência e da geopolítica para justificar a pilhagem. Já o “Aruângua” – rio sagrado – torna-se a via de passagem entre o sagrado e o profano, entre o espaço ancestral e o projeto de destruição.


Abaixo vamos à leitura do poema: 👇🏾


Aruângua


Um caminho

Que levou-lhes direto ao centro

Com o Paiva no cantinho

A frota chegou no epicentro


Era preciso passar pelo Aruângua

Para chegar no lugar estratégico

Então, através daquela água

O Paiva fez um estudo geoestratégico


E concluiu que Aruângua deságua no Índico

E porta de entrada para o centro é a sua foz

E o centro permitiria a posse dos que estão longe do Índico

E o Paiva pretendia dominá-los de forma feroz


Após aprovar-se a sua ideia maligna

Foi-lhe dada a ordem

De dominar a terra que não lhe é digna

E, de seguida, obedecer à primeira subordem…


E obedeceu

Pôs-se no mar

Com olhos virados para o céu

Na esperança de que nada possa lhe abalar


Já chegado na foz

Estremeceram os neurônios no seu interior

Era uma voz

Lhe dizendo para aguardar no exterior


O exterior era o Bângoé

Um local capaz de abrigar grandes embarcações

Ali esperou a hora certa

Para atacar as sagradas nações


Autor:  DZUWA Yathu 🌞

Revisão linguística: Munyama Khwixi Nkulu 

Movimento Revolucionário : KAJAMBU (sedeado em Moçambique 🇲🇿).


Reflexão Final

Aruângua é o espelho de muitos rios afrikanos que testemunharam o avanço da brutalidade colonial. Este poema carrega símbolos de resistência espiritual, cultural e territorial. O rio representa a linha entre o mundo ancestral e a invasão; o “centro” representa a riqueza espiritual e material da terra afrikana, e o “Paiva” é todo invasor que, ontem como hoje, tenta se apossar do que não é seu.


Este texto é um chamado à consciência do nosso povo. É um lembrete de que os nossos caminhos, rios, montanhas e tradições foram traçados com sangue, mas também com dignidade. Cabe-nos, hoje, resgatar esse passado para garantir um futuro onde Afrika pertença, de fato, aos seus filhos.

Enviar um comentário

0 Comentários